O que é Esperanto?

Tudo que você gos­ta­ria de per­gun­tar, mas nunca soube para quem!

O que é Esperanto?
Flago de Esperanto

O Espe­ranto é a mais falada das lín­guas inven­ta­das e pla­ni­fi­ca­das. A segunda mais fácil é a “lín­gua do P”, mas esta não teve tanto sucesso longe dos cír­cu­los soci­ais da pré-escola. Luís Lázaro Zame­nhof, médico polo­nês, com­ple­tou a ver­são ofi­cial do Espe­ranto em 1887. Sua inten­ção era criar uma lín­gua de fácil apren­di­za­gem, que ser­visse como segunda língua para toda a popu­la­ção mundial, e não, como mui­tos supõem, para subs­ti­tuir todas as lín­guas exis­ten­tes. Seus radi­cais vêm do latim, grego e lín­guas esla­vas, e a cons­tru­ção de pala­vras e fra­ses é seme­lhante ao grupo de lín­guas orientais.

E Espe­rando?

Gerún­dio do verbo “esperar”.

Pffff… isso não é meio inú­til? Já temos o inglês, que é super fácil!

Todas as lín­guas têm as van­ta­gens e des­van­ta­gens. Seria mes­qui­nha­ria des­pre­zar a bela lín­gua de Sha­kes­pe­are, Mark Twain e Capi­tão Amé­rica. No entanto, ela está longe de ser a mais fácil de aprender.

Van­ta­gens do inglês:

A gra­má­tica inglesa é mais sim­ples que a das lín­guas lati­nas. Só há um artigo defi­nido (the), o que sim­pli­fica seu uso, ao con­trá­rio do por­tu­guês, por exem­plo, onde um estran­geiro se atra­pa­lha com os arti­gos (o tele­fo­nema ou a tele­fo­nema? / o tribo ou a tribo?)

Os ver­bos não se fle­xi­o­nam (a não ser na ter­ceira pes­soa do pre­sente), evi­tando erros como “agora é eu, nós acha, fazem anos, etc”.

Des­van­ta­gens do inglês:

O que difi­culta são os ver­bos irre­gu­la­res (lembrem-se daque­las famo­sas qua­tro colu­nas no final de todo livro de inglês: pre­sent — past par­ti­ci­ple – infi­ni­tive – translation).

O inglês pos­sui uma orto­gra­fia mais com­pli­cada do que parece (tanto que exis­tem até com­pe­ti­ções esco­la­res para sole­trar palavras).

Uma letra pode ter vários sons.

O plu­ral nem sem­pre é regu­lar (piano – pia­nos, tomato – toma­toes, datum – data, cam­pus — campi). Sem dizer que os ori­en­tais tem sérios pro­ble­mas com os fone­mas da lín­gua inglesa.

Exis­tem diver­sas pala­vras que são escri­tas de forma dife­rente, mas pos­suem pro­nún­cia seme­lhante. Ex.: “right”, “wright”, “rite”, “write” / “cite”, “sight”, “site” / “serial”, “cereal”

Difi­cil­mente haverá pes­soas dis­pos­tas a lhe ensi­nar inglês de graça.

Abaixo mos­tro alguns exem­plos de como o inglês é defi­ni­ti­va­mente difí­cil para cer­tos povos. Estas são fotos tira­das de alguns dos diver­sos avi­sos em paí­ses ori­en­tais des­ti­na­dos a turis­tas estran­gei­ros. Saca só o tal “domí­nio mun­dial” do inglês.

Sen­tido ori­gi­nal: (não faço a mínima idéia)
Tra­du­ção: Em caso de os maca­cos estão na flo­resta, você não con­se­guirá achá-los.

Sen­tido ori­gi­nal: (tam­bém não sei, mas supo­nho que seja para você con­tro­lar os intes­ti­nos do seu cachor­ri­nho)
Tra­du­ção: Não der­ru­ba­das! De quem é este ani­mal? Você ensi­nar manei­ras ao seu cão. Então somos aman­tes de cães uns aos outros. Obrigado.

Sen­tido ori­gi­nal: (?)
Tra­du­ção: O note­book tendo linha regrada hori­zon­tal e podendo empa­co­tar é o melhor para arran­jar sentenças.

E daí? Eu aprendi inglês rapidão.

Ah é, sabi­chão? Você está imerso na cul­tura inglesa, uma vez que ela é domi­nante no mundo e, con­seqüen­te­mente, no Bra­sil. Você esteve em con­tato com a lín­gua desde… veja­mos… SEMPRE!

Na grande mai­o­ria das esco­las por aqui, a lín­gua estran­geira ensi­nada é o inglês. Os video-games são em inglês, fil­mes em inglês e nomes de lava-carros, pro­du­tos de lim­peza, loca­do­ras e até res­tau­ran­tes têm nomes ame­ri­ca­ni­za­dos. Você nas­ceu, o médico deu um tabefe na sua bunda e com cer­teza fez *SLAP!* (ono­ma­to­péia inglesa, hã).

Mesmo que seja­mos o quin­tal de grama alta da cul­tura anglos­saxô­nica, muita gente não gosta ou não tem faci­li­dade em apren­der inglês. No entanto, se a pes­soa não qui­ser ficar de fora, terá então que pagar alguns anos de escola de inglês e ainda assim corre chan­ces de não apren­der o tanto quanto gos­ta­ria. Para com­pen­sar o que não apren­deu no curso, essa mesma pes­soa tem que pas­sar alguns meses ou anos em um país de lín­gua inglesa pra apren­der decen­te­mente e, quando vol­tar, esque­cerá 70% do que foi apren­dido. Olha só! Tempo e dinheiro empre­gado que você pode­ria ter usado para comprar:

Um carro;

Ou 44 mil pico­lés de rua;

Ou um pote e meio de catu­piry mal­tês — uma igua­ria em paí­ses de segundo mundo.

Não seria fan­tás­tisco se a segunda lín­gua de todos os paí­ses fosse um idi­oma neu­tro, de fácil apren­di­zado e que colo­casse todos os cida­dãos, inde­pen­dente da lín­gua pátria, em pé de igualdade?

Além do mais, aposto que você nunca ouviu um ori­en­tal falando inglês. Acre­dite, é assom­broso, já que mui­tos dos fone­mas não são comuns naquele lado do globo.

Quanto tempo leva para apren­der Esperanto?

Para ler tex­tos cul­tos um ano já é mais do que o sufi­ci­ente. Em menos de 1 mês eu já con­se­guia acom­pa­nhar jor­nais sem gran­des pro­ble­mas. Léo Tols­toy (pen­sa­dor russo) afirma ter apren­dido espe­ranto em 3 horas, ape­nas com alguns tex­tos e um livri­nho de gra­má­tica de bolso. Por outro lado, conheci um mecâ­nico hún­garo de Buda­peste que jurou haver domi­nado a lín­gua em 15 minu­tos. Por ques­tões his­tó­ri­cas e éticas, Tols­toy tem ligei­ra­mente mais credibilidade.

Por que apren­der Esperanto?

Os moti­vos bei­ram o infi­nito! E como diz um pro­vér­bio checo,

“Kolik řečí znáš, toli­krát jsi člově­kem”. Você vive uma nova vida para cada nova lín­gua aprendida.

Do mesmo jeito que alguém da área de exa­tas deve apren­der inglês e ale­mão, alguém da área das huma­nas deve apren­der fran­cês e latim, alguém que joga xadrez deve apren­der russo ou alguém que faz baru­lhos estra­nhos com as axi­las deve apren­der klin­gon. Apren­der uma lín­gua nunca é demais e o espe­ranto serve para diver­sas causas.

a) Via­gens
Esta lín­gua é ótima para via­jar para outros paí­ses. Exis­tem mais espe­ran­tis­tas pelo mundo do que você ima­gina, e mais pró­xi­mos tam­bém. Há vários rela­tos con­cre­tos de que, em várias cida­des do inte­rior da Europa, por exem­plo, pes­soas falam Espe­ranto como segunda lín­gua, mas não o inglês.
Existe tam­bém um ser­viço geren­ci­ado por espe­ran­tis­tas cha­mado Pas­porta Servo, que dis­po­ni­bi­liza um catá­logo anual com ende­reço e tele­fone de diver­sos espe­ran­tis­tas pelo mundo, caso você pre­cise de um lugar para dor­mir e encher o bucho. Esse pes­soal te rece­berá, você ficará hos­pe­dado de graça numa casa de famí­lia, e todos fica­rão feli­zes como gol­fi­nhos acrobatas.

Quer via­jar para a China para conhe­cer o país durante uns 3 meses? Que ótimo! Se você só falar inglês, é semi-impossível se comu­ni­car com alguém por lá. Se você não se comu­ni­car, não vai abs­trair nada da via­gem. Legal então é apren­der man­da­rim! Mas a não ser que você seja um mag­nata do petró­leo deso­cu­pado, não gas­tará 4 anos da sua vida para estu­dar man­da­rim e só então ir para a China para pas­sar míse­ros 3 meses.

Sabia que um sim­ples jor­nal na China usa apro­xi­ma­da­mente 3000 ide­o­gra­mas? Tente estu­dar isso a sério enquanto você tem um emprego de 40 horas sema­nais ou uma facul­dade pra levar.

b) Famí­lia e ami­gos
Você nunca quis criar uma lín­gua nova pra falar com os seus ami­gos? Então, é a mesma coisa, mas o Zame­nhof já fez a parte chata por você e com acu­rada com­pe­tên­cia. Você pode falar coi­sas indis­tingüí­veis para seus pais, pas­sar cola nas pro­vas, ban­car o estran­geiro em filas de banco com seus ami­gos, usar a lín­gua em uma par­tida de RPG… tem a van­ta­gem de ser bem mais fácil do que apren­der o élfico tolkeniano.

c) Estudo e pes­quisa
De repente você pode encon­trar infor­ma­ções sobre algum tópico somente em Espe­ranto (ou em alguma outra lín­gua; lembre-se, 3000 ide­o­gra­mas!). Há várias obras lite­rá­rias tra­du­zi­das para o Espe­ranto e até escrita dire­ta­mente nesta língua.

Expe­ri­ên­cia pró­pria. Existe um livro do Bul­ga­kov, “Mas­ter i Mar­ga­rita” (em russo), que mal pude encontrá-lo em inglês, quem dera em por­tu­guês. Até que em um belo dia encon­trei uma tra­du­ção para o espe­ranto: “La Majs­tro Kaj Margarita”.


Olha aí o danado.

d) Estudo de outras lín­guas
Foi com­pro­vado que o Espe­ranto auxi­lia no estudo de outras lín­guas, pois treina o seu cére­bro a pen­sar de uma forma que mexe com o esque­leto da lin­gua­gem, sobre­tudo o de sua pró­pria lín­gua mãe. Além do mais, seu voca­bu­lá­rio se expande rápido, já que várias pala­vras pre­sen­tes no Espe­ranto estão tam­bém pre­sen­tes em diver­sas lín­guas indo-européias.

Em certa expe­ri­ên­cia, um grupo de estu­dan­tes do ensino secun­dá­rio estu­dou Espe­ranto durante 6 meses e, depois, fran­cês durante ano e meio, obtendo um melhor conhe­ci­mento de fran­cês do que o grupo de con­trole que estu­dou só o fran­cês durante dois anos. Alguns outros estu­dos suge­rem que o apren­di­zado de klin­gon e lín­gua do P e do W tam­bém são poten­ci­al­mente faci­li­ta­dos após o domí­nio do esperanto.

“Wer fremde Spra­chen nicht kennt, weiß nichts von sei­ner eige­nen”. Aque­les que não conhe­cem as lín­guas estran­gei­ras, não sabem nada sobre a pró­pria língua.

(Johann Wolf­gang von Goethe)

e) Cír­culo social
100% das pes­soas que conheci que se afei­ço­a­ram pelo espe­ranto são extre­ma­mente inte­res­san­tes e gente bonís­sima, tanto pela Inter­net quanto na vida real. Sim! Exis­tem bares e encon­tros de espe­ran­tis­tas por todos os lugares…


… até mesmo no Second Life

Die Gren­zen mei­ner Spra­che bedeu­ten die Gren­zen mei­ner Welt. Os limi­tes da minha lín­gua são os limi­tes do meu universo.

(Ludwig Witt­gens­tein)

Qual é a van­ta­gem do espe­ranto como lín­gua mundial?

Ima­gine a seguinte hipó­tese: você está sen­tado no trono do banheiro, cagando tranqüi­la­mente e, subi­ta­mente, resolve com­pi­lar em um romance todas as idéias que você havia tido até então. Devem ser umas péro­las! Por que não mostrá-las ao mundo? Oras, se você quer que o mundo inteiro saiba da sua filo­so­fia de banheiro, melhor escre­ver nas duas lín­guas mais fala­das — ou inglês, ou chi­nês. Tome­mos o inglês, por moti­vos óbvios (3 mil ideogramas!).

Você se toca logo nos pri­mei­ros pará­gra­fos de que não tem capa­ci­dade de se expres­sar nessa lín­gua. Eu, por exem­plo, achava que falava bem o inglês. Sem­pre con­ver­sei nesta lín­gua pela Inter­net, exceto com ame­ri­ca­nos e ingle­ses, pois eles rara­mente enten­diam o meu senso de humor e eu o deles, além de não terem muita paci­ên­cia quando me fogem os ter­mos e eu fico um bom tempo pen­sando pra escrever.

Tam­bém já morei em um pen­si­o­nato com um ale­mão. Ele falava um inglês meio porco, mas falava. Tam­bém morei com um espa­nhol, mas ele só falava espa­nhol e fran­cês, não falava por­tu­guês nem inglês. Sabe quando você entra em modo “espec­ta­dor” no Coun­ter Strike? Então, ele só ficava flu­tu­ando pela casa, sem inte­ra­gir com ninguém.

Gosto de diva­gar, mas vol­te­mos ao seu livro.

Já que você não con­se­gue se expres­sar, é bom fazer um curso de inglês. Alguns bons anos já bas­tam, até você che­gar no inglês lite­rá­rio. Após esses anos, você não é nenhum Wil­liam Sha­kes­pe­are, mas con­se­gue escre­ver razo­a­vel­mente bem, com algu­mas peque­nas gafes aqui e ali.

Surge agora outro pro­blema. O jeito como nos expres­sa­mos no Bra­sil é dife­rente de como nos expres­sa­mos nos Esta­dos Uni­dos. Ame­ri­ca­nos nunca enten­de­riam como sua mente real­mente fun­ci­ona e nem você sabe como fazê-los enten­der, pois a recí­proca é ver­da­deira. Vamos resol­ver isso! Com­pre uma pas­sa­gem e espere seu visto ser libe­rado para os Esta­dos Uni­dos. Creio que um ou dois anos sejam o sufi­ci­ente para você se adap­tar e mer­gu­lhar de ponta-cabeça na cul­tura ame­ri­cana e na cabeça dos yan­kees (não fisicamente).

Agora você já pode escre­ver seu livro! Seu inglês é bem mais avan­çado e você sabe como pen­sar em “ame­ri­cano”. Com alguma sorte, seu livro “Pen­sa­men­tos de Pri­vada — uma Abor­da­gem Crí­tica” já pode ser lan­çado e estará em pé de igual­dade com algum livro do gênero escrito por um ame­ri­cano. Ops, tem agora um pro­blema. Um ame­ri­cano enten­derá sua men­sa­gem, mas e um inglês? O inglês bri­tâ­nico é dife­rente do ame­ri­cano. E os japo­ne­ses, ale­mães, chi­ne­ses, árabes? Eles tam­bém são parte do Pla­neta Marte. Você não que­ria que o mundo todo lesse seu livro? Nem todos esta­rão aptos a ler um inglês avan­çado, tam­pouco com­pre­en­de­rão a filo­so­fia bra­si­leira pseudo-americana do seu cére­bro de coco-verde.

Alguns paí­ses têm um certo afas­ta­mento natu­ral do inglês por moti­vos his­tó­ri­cos, como alguns do Ori­ente Médio. Alguém no Ira­que, supo­nho, será ter­ri­vel­mente relu­tante à idéia de apren­der o idi­oma dos Esta­dos Uni­dos. Estes, então, esta­rão mais fodi­dos ainda caso quei­ram saber o que um bra­si­leiro pensa enquanto caga.

Além do mais, quando a lín­gua nativa de algum país pre­do­mina sobre o mundo, outras cul­tu­ras são sobre­pu­ja­das pela cul­tura daquele. Com o uso do Espe­ranto, por não ser uma lín­gua nativa de qual­quer país, põe todo mundo em pé de igual­dade para pro­du­zir e expor a cul­tura de qual­quer lugar que seja, sem que ela seja imposta sobre outros paí­ses com a mão da cul­tura consumista.

Você fala demais, hein?

Eu me empolguei.

Tá, tal­vez o inglês não seja tão “uni­ver­sal” assim. Mas não seria uto­pia ima­gi­nar uma lín­gua que fosse falada por todos?

O Espe­ranto é extre­ma­mente fácil de ser apren­dido por qual­quer pes­soa nesse pla­neta, eu juro, e com bai­xís­si­mos cus­tos, quiçá nenhum. A estru­tura da lín­gua é sufi­ci­en­te­mente sim­ples para até o pei­xi­nho dou­rado do seu aquá­rio aprender.

Como é o Esperanto?

Pode ser des­crita como uma lin­gua­gem que é lexi­ca­mente româ­nica e mor­fo­lo­gi­ca­mente aglu­ti­na­tiva (nossa, adoro pare­cer inte­li­gente). A foné­tica, gra­má­tica, voca­bu­lá­rio e semân­tica são base­a­das nas lín­guas indo-européias. O inven­tá­rio fonê­mico é essen­ci­al­mente eslavo, assim como boa parte da semân­tica, enquanto o voca­bu­lá­rio deriva pri­ma­ri­a­mente das lín­guas româ­ni­cas, com uma suave con­tri­bui­ção do ger­mâ­nico. Outros aspec­tos da lín­gua foram influ­en­ci­a­das pelo russo, polo­nês, ale­mão e fran­cês.
Se isso não quer dizer nada para você, ima­gine uma mis­tura de romeno, ita­li­ano e ale­mão. Bonito, né?

A regu­la­ri­dade da lín­gua é outro forte do Espe­ranto. Basta você tomar uma raíz qual­quer, e acres­cen­tar sufi­xos e pre­fi­xos para dar o sen­tido dese­jado. Tome­mos como exem­plo a raíz –akv– (refe­rente a idéia de “água”).

Subs­tan­tivo (sufixo –o): akvo (água)
Adje­tivo (sufixo –a): akva (aquoso)
Advér­bio (sufixo –e): akve (aquo­sa­mente)
Verbo (infi­ni­tivo, sufixo –i): akvi (estar em forma aquosa)
Subs­tan­tivo no plu­ral (sufixo –oj): akvoj (águas)
For­ma­ção de novos subs­tan­ti­vos: akvo­falo (akvo = água, falo = queda, akvo­falo = cachoeira).

A pro­nún­cia das pala­vras é algo muito sim­ples. Cada letra tem o seu som e isso nunca irá variar. Assim como o fato de sem­pre a penúl­tima sílaba da pala­vra ser tônica (AKvo, AKva, akvoFAlo).

Aqui seguem alguns exem­plos de pala­vras que vie­ram do:

Latim: sed (mas), tamen (no entanto), post (após), kvan­kam (ape­sar de), hodia? (hoje) e o sufixo adver­bial –e.
Grego clás­sico: kaj (e), pri (sobre), o sufixo de plu­ral –j, o caso acu­sa­tivo com sufixo –n (”musa” em grego se escreve musa, musaj, musan e no Espe­ranto é muzo, muzoj, muzon”.
Russo e Polo­nês: celo (obje­tivo), klo­podi (esfor­çar), krom (exceto), nepre (abso­lu­ta­mente), nu (bem!), ol (do que), prava (cor­reto em opi­nião).
Lituâ­nio: tuj (imediatamente)

Aqui segue um exem­plo de como o Espe­ranto se parece:

“Tri rin­goj por la elfoj sub la hela ĉiel’,

Sep por la gno­moj en salo­noj el ŝton’.

Naŭ por la homoj sub la morto-sigel’,

Unu por la Nigra Reĝo sur la nigra tron’

Kie kuŝas Ombroj en Mor­dora Land’.

Unu Ringo ilin regas, Unu ilin pre­nas,

Unu Ringo en mal­lu­mon ilin gvi­das kaj kate­nas

Kie kuŝas Ombroj en Mor­dora Land’.”

(Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tol­kien, tra­du­zido para o Esperanto)

Se a lín­gua for sim­ples assim, então não deve ser muito rica…

Você pode mon­tar as pala­vras a bel­pra­zer, com o sen­tido e cono­ta­ção que você dese­jar. Isto torna o espe­ranto uma das lín­guas mais fiéis para tra­du­ção, assim como para se expres­sar e tam­bém para lin­gua­gem científica.

Qual o alfa­beto usado no Esperanto?

Alfa­beto latino, com alguns carac­te­res adi­ci­o­nais (pagi­na­ção Latin-3): ĉ (tch), ŝ (sh), ĵ (j, como em jato), ĝ (dgi), ŭ (u curto, como em auto), ĥ (r, como em rato, mas gutural).

Exis­tem outras lín­guas inven­ta­das, tipo o Esperanto?

Além da Lín­gua do P? Hmmm… sim. Se cha­mava Volapük. Foi cri­ada em 1879 por Johann Mar­tin Sch­leyer, um padre cató­lico em Bal­den, Ale­ma­nha. Sche­leyer afirma haver sen­tido Deus falar com ele em um sonho, para que cri­asse uma lín­gua inter­na­ci­o­nal. Volapük teve a pri­meira sua pri­meira con­ven­ção em 1884 (Fri­e­dri­chsha­fen), 1887 (Munich), e 1889 (Paris).

E deu certo?

Nem tanto. A lín­gua era um tra­ba­lho excep­ci­o­nal e capri­chado, mas extre­ma­mente difí­cil para qual­quer um apren­der. Nas con­ven­ções, nin­guém se enten­dia. Quando o Espe­ranto sur­giu em 1887, sendo muito mais fácil de apren­der, o Volapük foi à falên­cia total.

O Fat obas, kel binol in süls, pai­sa­lu­domöz nem ola!
Kömomöd monargän ola!
Jenomöz vil olik, äs in sül, i su tal!
Bodi obsik väde­liki govolös obes adelo!
E par­dolös obes debis obsik,
äs id obs aipar­dobs debe­les obas.
E no obis nin­du­kolös in ten­dadi;
sod aida­li­volös obis de bas.
Jenosöd!

(Oração “Pai Nosso”, em Volupük. Maca­bro, não?)

Quan­tas pes­soas no mundo falam Espe­ranto atualmente?

Difí­cil saber, mas estima-se que há entre 2 e 10 milhões.

Há alguma rela­ção entre Espe­ranto e Espiritismo?

Não, ape­sar do Espi­ri­tismo enco­ra­jar o apren­di­zado da lín­gua por causa da filo­so­fia de união e igual­dade mun­dial. Outras reli­giões tam­bém enco­ra­jam tal, como a Oomoto e a Fé Bahá’í. Alguns espe­ran­tis­tas dizem tam­bém que o Espe­ranto foi uma lin­gua­gem pro­je­tada no plano astral e repas­sada a Zame­nhof. Mas nisso, você acre­dita se quiser.

Bah, Espe­ranto é uma lín­gua que foi inven­tada só pra falar sobre Esperanto.

De onde você tirou essa idéia insen­sata? Exis­tem revis­tas (sim, de papel ou vir­tu­ais) sobre cul­tura geral, ciên­cia e tec­no­lo­gia, cos­mo­lo­gia, humor, reli­gão etc.

Revista em espe­ranto sobre assun­tos gené­ri­cos, de culi­ná­ria a ten­dên­cias no mer­cado de boli­nhas de golfe.

Algu­mas rádios tam­bém trans­mi­tem parte da pro­gra­ma­ção em Espe­ranto, como por exem­plo, a Radio Polo­nia. Cli­que aqui e ouça um pouquinho.(http://www.radioarkivo.com/arkivujo/pol/pol-20071024.mp3)

O vídeo abaixo é de um coral bra­si­leiro can­tando uma can­ção fol­cló­rica da Cata­lu­nha em espe­ranto. Vale a pena assis­tir e ouvir, tam­bém pela breve expli­ca­ção no começo do vídeo.

Não gosto des­sas coi­sas, pre­firo algo mais divertido.

Alguns car­tu­nis­tas como o Ziraldo escre­vem dire­ta­mente em Espe­ranto ou per­mi­tem que suas obras sejam traduzidas.


“Mal­va­dos” em esperanto

Há pes­soas que tam­bém estão em pro­je­tos de tra­du­ção de jogos para com­pu­ta­dor, como tam­bém de manu­ais e inter­fa­ces grá­fi­cas do Linux.

Dá pra ganhar dinheiro com Esperanto?

Não sei, mas se você des­co­brir, me avise.

“Hoje embol­sei R$34,95 por uma tra­du­ção de por­tu­guês pra espe­ranto. Acabo de con­fir­mar o depó­sito no caixa ele­trô­nico e vim apres­sado pra casa pra final­mente res­pon­der por expe­ri­ên­cia pró­pria que sim, dá pra ganhar dinheiro com espe­ranto.“
(Espe­ran­tista que não quis se identificar)

Dá pra usar no computador?

Sim, gra­ças aos carac­te­res Uni­code você pode escre­ver até em can­to­nês. O jeito mais fácil que eu conheço é ins­ta­lar um suporte ao Por­tu­guês Uni­code nas con­fi­gu­ra­ções do Win­dows. O pro­grama que faz isso auto­ma­ti­ca­mente se chama EoKla­varo.

Para usar os carac­te­res dife­ren­tes (como ŝ ou ĝ), basta usar o acento cir­cun­flexo (^) antes das letras, como se fosse acentuá-las e pronto! Ah, e os acen­tos nor­mais do por­tu­guês con­ti­nuam os mes­mos. Bacana, né?

E se eu não qui­ser ins­ta­lar isso?

Você pode usar a letra “x” depois das letras “esqui­si­ti­nhas”. Desse modo, ĝ = gx, e ĵ = jx. Se você escre­ver assim na Inter­net, não haverá pro­blema nenhum e todos te entenderão.

Parece tudo muito fácil. Tem alguma coisa que possa me assus­tar nessa língua?

O indi­ví­duo que exerce uma ação expressa pelo verbo é o pra­ti­cante ou sujeito da ora­ção; aquele sobre o qual dire­ta­mente incide a ação do sujeito é o com­ple­mento direto, tam­bém deno­mi­nado objeto direto. Nesse caso, o objeto recebe um sufixo –n para indi­car a decli­na­ção do “acu­sa­tivo”. Dessa maneira, o sen­tido da frase estará mais imbu­tido nas pala­vras do que na frase em si. Exemplo:

Vidi la patron = La patron vidi (”Ver o pai”. Vidi = ver, la = o(a)(s), patro = pai).

Ha! Sabia que tinha alguma treta… esse negó­cio de “decli­na­ções” deve ser um pé no saco.

Isso é pre­guiça da nossa parte. Diver­sas lín­guas usam decli­na­ções e elas são muito úteis. Isso faz com que a ordem das pala­vras na frase seja menos rele­vante, tornando-as muito mais fle­xí­veis. O ale­mão tem 4 decli­na­ções, o latim e grego têm 5, russo têm 6 e o fin­lan­dês tem 14. Vai encarar?

Exis­tiu alguém famoso que apre­ci­ava o Espe­ranto? Sou maria-vai-com-as-outras!

Sim. Gui­ma­rães Rosa, João Paulo II, Eins­tein, Edu­ardo VII da Ingla­terra, Mahatma Gandhi, Mao Tse Tung, Pio XII, João XXIII, Pelé, Julio Verne, Bau­doin de Cour­te­nay, Otto Jes­per­sen, entre vários outros.

O Espe­ranto já deu o ar da graça por aí e eu não percebi?

Com cer­teza! Dois fil­mes foram pro­du­zi­dos com diá­lo­gos intei­ra­mente em Espe­ranto: Ango­roj, em 1964 e Incu­bus (estre­lando Wil­liam Shat­ner em 1965). O filme Gat­taca tam­bém usa o Espe­ranto no anún­cio de coi­sas atra­vés de sis­te­mas de ende­re­ços públicos.


Incu­bus de 1965. Zum­bis, loi­ras pos­suí­das, Capi­tão Kirk e espe­ranto — o que mais pode haver de bom?

O anime Rah­Xephon faz uso do Espe­ranto para o acrô­nimo de TERRA, que sig­ni­fica “Tereno Empi­reo Rapid­mova Reak­cii Armeo”. Isso pode ser tra­du­zido como “Exér­cito de Res­posta Rápida do Impé­rio da Terra”, ape­sar de que o safado que criou isso pro­va­vel­mente não falava espe­ranto. Um Espe­ranto mais cor­reto seria “Rapid-Reaga Armeo de La Tera Imperio”.

O com­po­si­tor ame­ri­cano Lou Har­ri­son, que incor­po­rou vários esti­los e ins­tru­men­tos pro­ve­ni­en­tes de diver­sas cul­tu­ras, usava o Espe­ranto para dar nomes às suas músicas.

O MMORPG Final Fan­tasy XI usa o Espe­ranto no tema de aber­tura, em uma parte da música cha­mada de “Memoro de la Ŝtono”, que tra­du­zindo quer dizer “Memó­ria da Pedra”.

No filme Blade III, há uma cena em que o diá­logo é feito em Espe­ranto. Mui­tos sinais são per­cep­tí­veis nesse filme, que são escri­tos em Espe­ran­tos. Inclu­sive, um dos per­so­na­gens é visto assis­tindo Incubus.

No filme “O Grande Dita­dor” de Char­lie Cha­plin, os letrei­ros das lojas são todos escri­tos em esperanto.

Tudo bem, por onde eu começo?

Você pode come­çar por:
Curso de Espe­ranto — pro­grama para apren­der espe­ranto pelo com­pu­ta­dor
Lernu.net — Alguns toques sobre o apren­di­zado da lín­gua
Espe­ranto UNICAMP — Novi­da­des vin­das do núcleo de estu­dos de Espe­ranto da Uni­ver­si­dade de Cam­pi­nas. Anún­cios de cur­sos, pales­tras, e tudo de supimpa que você possa que­rer assistir!

Envie suges­tões e crí­ti­cas para o e-mail: cafetron@nebulosabar.com

Fon­tes

Espe­ranto новости (em russo)
Fin­nish Gram­mar — Cases (em inglês)
Wiki­pe­dia — Espe­ranto (em inglês)
Wiki­pe­dia — Latin (em inglês)

Agra­de­ci­men­tos

Comu­ni­dade Espe­ranto — Lín­gua Mun­dial e Espe­ranto Bra­sil no Orkut, em espe­cial para Paulo Geyer, Wel­ling­ton Nas­ci­mento, Raoni Souza, Felipe Quei­roz e Mar­cus Aure­lius Farias, pelas cor­re­ções e sugestões.

Lista de dis­cus­são http://groups.yahoo.com/group/unicamp-esperanto – Esperanto no Yahoo Groups! Em espe­cial para Lucas Vig­noli Reis e Jimes Vasco Mila­nez, pelo ótimo tra­ba­lho em prol do Espe­ranto, tanto den­tro da Uni­camp quanto fora dela.

Retirado do site Nebulosa Nerd´s Bar
http://nebulosabar.com/top/esperanto/

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