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Esperanto – Língua Internacional? – – – Esperanto – Ĉu internacia Lingvo?

Esperanto – Língua Internacional?

Rubrica: 

por Pedro Jacintho Cavalheiro

Com o Projeto de Lei (PL 6162/09) do Senador Cristovam Buarque, ex-reitor da UNB, que propõe a criação de um artigo na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) que introduz do ensino da língua internacional Esperanto no Ensino Médio como matéria opcional, muitas perguntas, velhas e novas, sobre essa língua vem sendo feitas.

Reuni, então, algumas perguntas importantes para que você saiba exatamente o que o Esperanto é e o que ele não é. Sem mitos e sem bobagens. Esse questionário deixará você bem informado sobre esse assunto, que está na pauta do Congresso Nacional.

  • Esperanto não é uma língua morta?

Não. Ao contrário: Esperanto é uma língua moderna e jovem. Tem apenas 124 anos, o que para uma língua é uma criança. Esperanto é uma língua viva, com vocabulário para toda e qualquer situação contemporânea, com dicionários técnicos sobre aviação, computação etc.

Uma língua é considerada morta quando deixa de ser usada por um agrupamento humano, estaciona no tempo e não acompanha mais a evolução social e tecnológica. O Latim, por exemplo, embora usado em nomenclaturas biológicas, no Direito e em algumas situações pontuais e específicas, é uma língua morta. Por que? Sabe como se diria em Latim a frase “O ascensorista colocou a mão no bolso da calça e tirou o maço de cigarros”? Não é possível dizer! Porque na Roma Antiga não existiam elevadores e, portanto, não existiam ascensoristas; não existiam maços de cigarros, não existiam bolsos e nem calças. Assim, por ter deixado de ser usado por um agrupamento humano, por ter parado no tempo e não acompanhado a evolução do mundo, o Latim tornou-se uma língua morta. Apenas para dar mais um exemplo, o mesmo aconteceu com o Sânscrito védico e depois com o Sânscrito clássico, que embora existam em livros da tradição védica, não são usados como língua do dia a dia por nenhum agrupamento humano e, por isso, deixaram de acompanhar a evolução social e tecnológica da humanidade. Para que se tenha uma ideia da localização do Sânscrito no tempo, as primeiras formas dessa língua, que pode ter levado séculos se desenvolvendo, aparece por volta de 1200 a.C. e por volta do século V a.C., a gramática do Sânscrito clássico foi fixada por Panini. Hoje apesar de ser uma das 23 línguas oficiais da Índia, é utilizada apenas em liturgias e não na vida cotidiana. Tanto o Sânscrito quanto o Latim influenciaram várias línguas modernas, mas são línguas ditas tecnicamente mortas.

O Esperanto, com apenas 124 anos, é uma língua moderna, viva e pujante.

  • Esperanto não é um projeto que não deu certo?

Não. Nada disso. Esperanto não é um projeto e já faz tempo que deu certo. O Esperanto é uma língua em plena atividade. Seus falantes contam com uma organização mundial bem sólida. A Associação Universal de Esperanto, com sede na Holanda, possui mais 1900 Delegados em 90 países. Existe uma Academia Internacional de Letras Esperantista e associações mundiais de muitas atividades humanas profissionais ou não. A Academia de Ciência de San Marino, confere título de Mestre ou Doutor a quem apresenta lá seu trabalho de mestrado ou doutorado em Esperanto. Na Hungria o Esperanto já é matéria opcional nos vestibulares, desde o ano 2000, e é uma das quatro opções para língua não-nacional mais escolhidas pelos vestibulandos. Na China o Esperanto já é ensinado em várias escolas como língua opcional e algumas universidades do país existem cursos de pós-graduação em Esperanto e esperantologia. O site oficial do governo Chinês oferece versão em Esperanto. Por falar nisso existem sites não esperantistas que já utilizam o Esperanto como ferramenta de comunicação, como o do jornal francês “Le Monde Diplomatic”, a rede social “Face Book”, o buscador “Google” etc. Eu uso o navegador Mozilla Firefox em Esperanto. Aí você poderia pensar “Ah, o Mozilla não vale porque as versões são feitas por internautas pelo mundo afora”. Pois é: existem esperantistas no mundo em número suficiente para formar grupos e produzir muita coisa na língua, apesar de ser uma língua com pouco mais de um século de vida e de não pertencer a um país. AWikipedia em Esperanto possui hoje mais de 144.000 artigos nessa língua, traduzidos ou escritos por esperantistas. Pense nisso.

Poderia oferecer muitos outros dados, mas já deu pra perceber que o Esperanto deu certo.

  • Mas não é absurdo uma língua universal para substituir as línguas nacionais?

Claro! Seria uma ideia não só absurda, mas também nefasta! O Esperanto nunca se propôs a ser “universal”. Esse adjetivo NUNCA foi utilizado pelo iniciador do Esperanto, pelo movimento esperantista organizado ou pela literatura esperantista. O Esperanto surgiu exatamente para evitar que línguas nacionais fossem descaracterizadas ou desaparecessem completamente pela imposição de línguas nacionais de nações economicamente fortes. Fenômeno recorrente no mundo. Esse é o absurdo: línguas nacionais que são impostas por razões mercantilistas e de poder sobre nações mais pobres. A ambição humana tem estado historicamente acima da preservação do patrimônio linguístico e cultural da humanidade e da democracia linguística nas relações internacionais. O Esperanto surgiu exatamente para defender esses princípios, além de ser uma língua foneticamente possível de ser falada por todas as gentes e muito mais fácil que qualquer língua nacional. A ideia de universalização da língua vai contra os princípios esperantistas.

O Esperanto nasceu com outro nome. Chamava-se simplesmente “Língua Internacional”. Não “universal”. E quando surgiu se apresentava com o seguinte mote: “Para cada povo seu idioma, para todos os povos o Esperanto”. O Esperanto sempre se colocou como a melhor alternativa de língua neutra internacional para as relações internacionais e não como substituta das línguas étnicas.

  • Mas, eu já vi uma propaganda de curso de Esperanto chamando-o de “Língua Universal”…

Eu também já vi muita bobagem nessa vida. Acredite. Mas isso é fruto de ignorância. Um esperantista bem formado, com nível cultural mais elevado, sabe que a palavra “universal” é perigosa e incorreta para classificar o Esperanto, porque transmite a ideia de algo que existe parar substituir coisas que lhe são semelhantes, como “pino universal”, por exemplo. Embora existam outros significados para essa palavra, como no platonismo e no aristotelismo, seu significado geral é de algo global, mundial, que abrange tudo. Podemos pretender que o Esperanto tenha divulgação e utilização universal, no sentido de ser utilizado em todos os lugares do mundo, mas sempre e apenas como língua-ponte entre as gentes. O Esperanto em si não é universal. É Internacional. Caso você veja algum anúncio de curso de Esperanto adjetivando essa língua como “Universal”, melhor escolher outro curso.

  • Esperanto não é uma língua espírita?

Não. O Esperanto é uma língua neutra em todos os aspectos, inclusive o religioso. Em matéria de religião, é tão neutra quanto o Português, o Inglês, o Espanhol etc. O Esperanto é neutro também em matéria de etnia, nação ou qualquer conceito nacionalista. Por isso carrega valores humanistas e devido a esses valores é apoiado por muitas religiões e por instituições como a UNESCO. Existem no mundo organizações de esperantistas de várias religiões, como católicos, evangélicos, quakers, bahaístas, oomotanos, budistas etc. O Papa, por exemplo, transmite a mensagem “Urbi et Orbi” em Esperanto. E não é o primeiro papa a fazer isso. A rádio do Vaticano transmite programas em Esperanto três vezes por semana e quando faleceu o Papa João Paulo I, que era esperantista, transmitiu missa em Esperanto em sua intenção e homenagem. Já a UNESCO emitiu duas Resoluções Oficiais favoráveis ao Esperanto, onde recomenda aos Estados-membro que divulguem e ensinem a língua, especialmente em suas universidades.

  • E por que, então, tem gente que pensa assim?

No Brasil o Esperanto vem sendo apoiado pelo Espiritismo há muitos anos e por isso pessoas mal informadas ou mal intencionadas, dizem por aí que Esperanto é língua espírita. Quem não sabe o que é o Esperanto tende a acreditar porque parece verdade: os nomes Esperanto e Espiritismo são meio parecidos, ambos começam com “esp”, um leigo que vê um livro de Esperanto publicado pela Federação Espírita Brasileira ou um livro espírita falando do Esperanto, pode rotular o Esperanto como coisa de espírita, fechar questão e sair repetindo a bobagem por aí. Isso funciona como uma boa antipropaganda porque uma escola de línguas, por exemplo, não se interessa em oferecer cursos de algo que acredita ser assunto religioso. Além disso profitentes de religiões refratárias ao Espiritismo, nem param pra saber o que é Esperanto se acreditarem ser coisa de espírita. Divulgar essa informação falsa tem sido uma forma ardilosa de frear o crescimento do Esperanto no Brasil.

  • Esperanto não é uma língua artificial?

Depende do que considerarmos “artificial”. O Esperanto deu certo justamente por não ser artificial como centenas de tentativas de “Língua Neutra”, que vieram antes dele e não funcionaram. Muita gente boa tentou uma solução neutra para a comunicação internacional, como os filósofos Descartes, Montesquieu e Voltaire, por exemplo. Mas, todos falharam porque língua não se “inventa”. A grande diferença do Esperanto é que suas palavras não foram “inventadas”, mas vieram das línguas-tronco das línguas modernas. Ou seja, das línguas que deram origem às línguas modernas. Tudo passando por uma pesquisa profunda dos radicais de palavras que já eram internacionais por si mesmos. É por isso que é comum reconhecermos palavras quando ouvimos um texto em Esperanto, mesmo sem nunca termos aprendido a língua. E o mais fantástico: isso acontece com gente do mundo todo. Até os falantes de línguas orientais sentem facilidade com o Esperanto porque a lógica da língua contempla o raciocínio oriental.

Então, resumindo pra responder: o Esperanto é artificial no seu arranjo mas não na origem de suas palavras ou na estrutura de sua gramática, que aproveitou o que de melhor o ser humano desenvolveu no campo gramatical. Convivemos no dia a dia com muitas coisas igualmente artificiais no seu arranjo, mas não em sua origem, como a casa em que moramos, bem diferente da natural caverna, como as verduras que comemos, produzidas pelo domínio do homem sobre a natureza, caso também do seu cãozinho doméstico, já que a natureza só produziu lobos. O Esperanto é tão natural e tão artificial quanto essas coisas.

  • Mas uma língua arranjada dessa forma pode funcionar?

Se qualquer outro projeto “a posteriori” (nome técnico de línguas cujas palavras vêm das línguas ditas “naturais”, em contraposição a línguas “a priori”, aquelas inventadas mesmo), poderia funcionar é difícil dizer. Mas o Esperanto é um fenômeno reconhecido por organizações como a União Internacional de Telecomunicações, ou melhor, por todas as organizações internacionais e seu iniciador, o médico e linguísta polonês Lázaro Luiz Zamenhof, considerado pela UNESCO como um gênio da humanidade. Talvez por isso o Esperanto seja um caso à parte.

O Esperanto funcionou de forma tão surpreendente, que em algumas universidades de alguns países existem estudos sobre esperantologia. Porque o Esperanto é realmente um fenômeno sóciolinguístico. Existem, por exemplo, pessoas que aprenderam o Esperanto desde o berço, dentro de casa, e nada faltou nele para que crescessem e se desenvolvessem como fariam falando qualquer outra língua.

  • Tem alguém que fala essa língua?

Há quem diga que o Esperanto é uma língua falada apenas por algumas pessoas excêntricas. Mais um equívoco de quem forma opinião sobre coisas sem pesquisá-las com seriedade. Talvez você não conheça ninguém que fale Esperanto porque as pessoas que falam a língua não andam pela rua com uma placa pendurada no pescoço dizendo “Eu falo Esperanto”. Ou porque, de fato, a quantidade de pessoas que fala a língua não seja tão grande assim. O Esperanto não tem tantos falantes quanto o Português, o Inglês, o Espanhol, mas já tem uma enorme capilaridade. Para esclarecer a diferença entre quantidade e capilaridade, tomemos o exemplo do Inglês e do Chinês (Mandarim). Qual das duas é mais falada? Em quantidade é o Chinês, sem dúvida, mas em capilaridade é o inglês, porque está em mais lugares do mundo. O Esperanto já tem hoje mais capilaridade que o inglês.

  • Mas eu não conheço ninguém…

Vejamos alguns números: a ONU registra que o planeta tem 191 países, mas o Banco Mundial jura que são 229. A FIFA tem 209 países associados e a empresa de cartões de crédito VISA recebe mensalmente faturas de 249 países. Em levantamento feito até 11 de dezembro de 2010, existem pessoas que falam Esperanto em 242 países do mundo. Isso é capilaridade. O Esperanto está em todos os cantos do planeta e em muitos países existem clubes, associações, agremiações esperantistas. Existe uma rede mundial organizada de esperantistas que hospedam esperantistas, de forma que é comum viajar pelo mundo hospedando-se em casas de esperantistas. E mesmo quando o esperantista prefere ficar em hotéis, é recebido por esperantistas que lhes dão suporte nos países visitados.

Então, se você falar Esperanto vai conhecer muita gente que também fala. E do mundo todo.

  • Mas, se o Esperanto ainda é usado por pouca gente no mundo, embora com boa capilaridade, por que é chamado de “Língua Internacional”?

Porque no caso do Esperanto “Língua Internacional” é um adjetivo, um qualificativo e não um advérbio. Ou seja, o Esperanto é internacional independentemente de estar ou não internacional, porque nasceu internacional. O Esperanto tem raízes em todas as línguas do mundo, foi buscar na origem delas as suas palavras e sua gramática. Quando se ouve pela primeira vez alguém falando Esperanto, é possível identificar algumas palavras e sentir uma certa familiaridade com a língua. Se a pessoa sabe Inglês, reconhece palavras que se assemelham ao Inglês, se sabe Francês, Grego, Italiano etc., acontece a mesma coisa. Se é oriental, encontra uma gramática mais próxima da lógica de sua língua. Ou seja, o Esperanto é internacional em si mesmo. Aliás, quando surgiu, o nome da língua não era Esperanto, mas apenas “Língua Internacional”. Doutor Esperanto era o pseudônimo de Zamenhof, que era médico, e depois de algum tempo os esperantistas resolveram homenageá-lo dando à “Língua Internacional” o nome de Esperanto. Não é interessante? O Esperanto é tão natural na origem de suas palavras que até o nome da língua aconteceu em um processo cultural e histórico natural. E nesse mesmo processo a língua já cresceu e se desenvolveu muito desde que surgiu.

  • Existe literatura em Esperanto?

Sim. E vasta! Existem livros tanto originalmente escritos em Esperanto quanto traduzidos para a língua, sobre todas as áreas do pensamento humano. A biblioteca Hector Hodler, da Associação Universal de Esperanto possuí algo em torno de 20.000 títulos de livros, além de jornais, periódicos, músicas etc. Você pode ler de Lusíadas de Camões aos quadrinhos do Asterix em Esperanto. Você pode ler livros de culinária internacional a Goethe, ou se quiser Shakespeare, Molière, ou Karl Marx e Adam Smith. Livros infantis e adultos. Aliás, o Ministério da Educação Brasileiro mantém em seu portal na Internet a página “Domínio Público” onde disponibiliza livros para baixar, cujos direitos autorais já expiraram. Se você selecionar no menu a língua Esperanto, vai encontrar 220 títulos à disposição para baixar gratuitamente. No Brasil, várias instituições esperantistas vendem livros em Esperanto, como a Liga Brasileira de Esperanto, a Cooperativa Cultural dos Esperantistas e muitas outras.

  • Então o Esperanto não é língua de uma “tribo” social fechada?

O Esperanto nasceu e cresce por motivos diversos dos que regem o mercado. Nada contra o mercado. Tenho convicção que o Esperanto começará em breve a ter espaço nele. Se um exportador e importador brasileiro quiser hoje fazer negócios com a China em Esperanto, a iniciativa será recebida com simpatia pelos chineses. E isso vale para outros povos. Mas, o Esperanto surgiu pela necessidade de uma língua neutra para comunicação democrática entre os povos, ou seja, uma língua que não ferisse brios nacionalistas, que não colocasse os nativos de determinada língua em vantagem sobre os nativos de todas outras línguas, que ao contrário de línguas nacionais travestidas de internacionais, não praticasse a dilapidação do patrimônio cultural dos povos pela contaminação cultural forçada pelos interesses econômicos. Uma língua tecnicamente possível de ser falada por todos os povos do planeta, que não esbarrasse em barreiras fonéticas intransponíveis. O Esperanto surgiu pela preocupação única e desinteressada de atender à necessidade de comunicação fácil, quente, cara a cara, entre os povos, de forma a intensificar o intercâmbio cultural multilateral e não unilateral e de forma a facilitar o intercâmbio científico em prol da humanidade. O Esperanto nasceu neutro e com direitos autorais cedidos em cartório como domínio público. Portanto, nasceu na contra-mão da exploração do ensino de línguas como meio de produzir riqueza para determinados países. Isso sim é favorecer a uma tribo.

  • Então, por que não se encontra livros em Esperanto em livrarias comuns e não vê anúncios na TV de cursos de Esperanto?

O processo histórico do Esperanto fez com que ele crescesse sem o apoio de nenhuma super potência, de uma empresa ou de qualquer poder econômico e fez ainda com que fosse até perseguido por supostamente colocar em risco interesses diversos àqueles da humanidade como um todo. Por isso, esperantistas foram mortos por Hitler nos mesmos campos de extermínio onde morreram judeus e outras minorias, por isso as ditaduras tanto de direita quanto de esquerda e os totalitaristas o perseguiram também. O Esperanto precisou renascer depois da segunda guerra mundial e vem se desenvolvendo à medida que os países vão se democratizando. A Internet é também um grande marco no desenvolvimento do Esperanto.

Por isso, em uma história ainda tão curta e tão conturbada, lutando pelo direito à democracia linguística, pela igualdade entre os homens nas relações internacionais, por valores humanistas e pela proteção da diversidade cultural, contra interesses econômicos e de dominação históricos, é natural que ainda não tenha comprado espaços comerciais nas TVs e que venha conquistando pouco a pouco espaços nas grandes livrarias. Com a Internet, soluções como TVs na Internet, e livrarias virtuais, vieram atender às necessidades de divulgação do Esperanto. E para o futuro tem mais.

  • O mundo precisa de uma língua como o Esperanto?

Como você já deve ter percebido por tudo que foi escrito até aqui, sim. E precisa urgentemente. Tanto nas relações diplomáticas quanto nas relações interpessoais em escala mundial, o problema da língua-ponte não está resolvido.

  • Mas, o Inglês já não é a língua internacional?

Vejamos dois aspectos: técnico e prático. No aspecto técnico a resposta é não. O Inglês é uma língua nacional travestida de internacional. É uma língua tecnicamente impossível de ser falada para muitas etnias. Uma língua nada fonética, com 12 sons para a letra “a”. Tente, por exemplo, conversar com um japonês ou um grego em Inglês e você perceberá que a dificuldade é muito grande. E mencionei dois países onde o Inglês é bem difundido. Pense no caso brasileiro onde as crianças já nascem ouvindo músicas em Inglês, são bombardeadas pela língua inglesa por todos os lados, recebem aulas de inglês na escola regular desde muito cedo, em certos casos desde o ensino infantil, e quando saem do Ensino Médio, não sabem falar inglês. Por que? Porque é uma língua antípoda à língua portuguesa. É de origem anglo-saxônica enquanto o Português é de origem latina. É foneticamente difícil e sua gramática, embora relativamente fácil, é cheia de exceções e idiossincrasias.

Na prática o Inglês é uma língua comercialmente bastante usada no mundo capitalista ocidental. Mas não em todo o mundo. Falei da China que vem ensinando o Esperanto e vem também ensinando o Inglês. Mas, eles aprendem o Esperanto com mais facilidade, mais rapidamente e a língua é mais simpática por ser neutra. Então por que aprendem Inglês? Porque, embora tenha ordenamento político comunista, entraram no jogo capitalista para ganhar. E o jogo pede conhecimento do Inglês, já que Estados Unidos tem “mando” do jogo capitalista. Para a China, ganhar nesse jogo é questão de sobrevivência já que existe lá uma super população para alimentar. Mas isso não quer dizer que se a China obtiver o “mando” desse jogo continuará trabalhando com o Inglês. E nem conseguirá ensinar Mandarim para o mundo. Nem para todos os chineses conseguiram ensinar. Então, o Esperanto seria uma opção digna. E eles já desenvolvem o ensino do Esperanto por lá.

Se o Inglês tivesse alcançado seu objetivo em ser a língua internacional a ONU não gastaria o equivalente a três vacinas contra poliomielite por palavra traduzida em suas assembléias. A foto abaixo ilustra o problema. Vemos a rainha da Inglaterra fazendo um pronunciamento na ONU e até mesmo os membros da mesa precisam de tradução simultânea.

  • Se eu aprender Esperanto vou conseguir um emprego melhor?

Por enquanto, não. Para tentar um emprego melhor no Brasil, você deve aprender Inglês ou Espanhol ou a língua que interessar à empresa onde você quer oportunidade. Se quiser trabalhar na Volkswagen, melhor aprender Alemão. Na Argentina está em alta fazer curso de Português. Quem domina o Português na Argentina está conseguindo melhores empregos devido ao bom momento econômico brasileiro. Também é importante dizer que apenas aprender uma língua estrangeira não garante a obtenção de um emprego melhor. É necessário estudar e cuidar do currículo. Esse negócio de mágica só existe em comercial feito pra vender cursos de línguas.
Com relação ao Esperanto, hoje, o que posso garantir é que você ampliará seu leque de contatos, em nível internacional e terá com ele uma ferramenta única de comunicação sem barreiras. E isso abra perspectivas.

  • Então, Esperanto pra quê?

Do ponto de vista pessoal, para seu crescimento cultural e humano. O conhecimento do Esperanto faz com que comecemos a pensar mundialmente de verdade e nos possibilita conhecer muito mais o mundo do que o conhecimento de qualquer língua nacional estrangeira. A questão não é só fazer amigos, mas a troca cultural que esses amigos acabam propiciando por estarem em todos os cantos do planeta. O Esperanto abre portas para que você conheça culturas e povos por dentro e não apenas da vitrine dos roteiros turísticos.

Se estendermos nosso olhar a partir do aspecto pessoal para o de nossa sociedade, veremos que o Esperanto é um tesouro a ser explorado.

Do ponto de vista da sociedade humana, o Esperanto promove a proteção à diversidade linguística e consequentemente à diversidade cultural, que é uma riqueza da humanidade a ser preservada. Já há algum tempo é uma preocupação dos países europeus a proteção de suas línguas locais. Na Alemanha, por exemplo, é proibida a exibição em cinemas de filmes falados em qualquer língua que não seja o Alemão. Todos os filmes tem que ser dublados. O problema da contaminação cultural invasiva é muito evidente na Europa, onde os países são pequenos e muito próximos. O Esperanto promove a democracia linguística nas relações internacionais, principalmente as diplomáticas por ser uma língua neutra de igual propriedade de todos os povos do mundo.

  • Esperanto é muito difícil?

Não. É muito fácil se comparado a qualquer outra língua. Por um lado possui uma gramática lógica e sem exceções, com apenas 16 regras. Por outro lado, essa gramática lógica faz com que você aprenda mais vocabulário em menos tempo. Você aprende uma palavra e pode criar muitas outras, expressar muitas ideias a partir dela, devido ao conjunto de prefixos e sufixos que funcionam como um jogo de montar. Esses afixos são regulares também e por isso o “jogo” é automaticamente compreendido por quem fala Esperanto. A revista “News Week” de 11 de agosto de 2003, publicou matéria onde afirmou que o Esperanto é pelo menos 10 vezes mais fácil de aprender do que o Inglês. Mas, Esperanto é língua. Não dá pra aprender dormindo. Requer menos esforço, menos tempo, quanto mais línguas o aluno souber mais fácil fica de aprender. E se não souber língua estrangeira alguma, aprendendo Esperanto, aumentará sua facilidade para prendê-las. Mas requer alguma dedicação, claro.

  • E esse projeto do Senador Cristovam Buarque?

Existe um projeto de Lei do Senador Cristovam Buarque, um homem reconhecidamente envolvido com a educação, que propõe a introdução do Esperanto como matéria opcional no ensino médio. A aprovação desse projeto e a posterior e necessária adesão das escolas para o ensino do Esperanto, representaria um ganho enorme para nossos alunos, tanto no aprendizado de línguas, quanto no aprendizado humanista.

  • Mas, seria bom para o ensino?
Podemos afirmar, com base em pesquisas científicas como a publicada pelo Ministério da Instrução Pública da Itália, que aprendendo Esperanto você aprenderá Inglês ou qualquer outra língua com mais facilidade e mais rapidamente, porque o Esperanto é um facilitador comprovado para o aprendizado de línguas. O que incluí a própria língua nacional. Ou seja, aprender Esperanto ajuda no aprendizado do Português. Estudos demonstram também que o jovem que aprende Esperanto, melhora seu raciocínio lógico matemático e aumenta seu interesse por Geografia e História.

Além disso, o Esperanto é reconhecido pela UNESCO como um importante instrumento para o fomento de uma cultura de paz. O que é urgente nos dias atuais.

• No Culturoscópio você encontra um texto com informações detalhadas sobre esse tema. Vale a pena ler. Clique aqui.

Mas, tem professor em quantidade suficiente pra ensinar Esperanto?
• Clique aqui e leia um artigo aqui do Culturoscópio que responde a essa questão.

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Kiel diri “miliardulo” en Esperanto? – Como dizer milionário em esperanto?

La vizito de la konata financisto Georgo Soros en simpozio de UEA rezultis interalie en interesa artikolo, aperinta en la retejo de la gazeto New York Times. Laŭ la artikolo, verkita de Alison Leigh Cowan, George Soros estas “unu el la malmultaj denaskaj parolantoj de Esperanto tutplanede”. Libera Folio publikigas kompletan tradukon de la artikolo, kun la afabla permeso de la aŭtoro.

Raporteco en la fama ĵurnalo The New York Times
Raporteco en la fama ĵurnalo The New York Times

de ALISON LEIGH COWAN, New York Times

Por eta grupo el lingvistoj, universitatanoj kaj revantoj, kiuj kutimas pri neglekto al iliaj invitoj, ne estis bagatelo kiam George Soros, la miliardulo, eniris salonon por festi kune kun ili.

Jen tamen, en ilia simpozio la merkredan vesperon, li mem regalis ilin per bongustaj rakont-pecoj pri ilia amata ĉevaleto: Esperanto, lingvo jarcent-aĝa, kreita laŭ la preskaŭ evangelia kredo ke doni al la mondo komunan, facile lerneblan duan lingvon malpliigos konfliktojn.

Kvankam ĝi neniam disvastiĝis tiom kiom esperis ĝia kreinto, L. L. Zamenhof, kaj apenaŭ eblus diri ke ĝi bremsis du mondmilitojn, Esperanto ankoraŭ havas siajn adeptojn kaj fervorulojn – iom mesiismajn, kiuj ekscias kun ega ĝuo pri la plej freŝa beletra trovaĵo aŭ sagaca rap-teksto Esperanta, kaj plezure montras plian fojon al novvenintoj la scenon el “Incubus,” la klasika kultfilmo el 1966, en kiu William Shatner konkeras belulinon ne en Klingon, sed ja en Esperanto.

La kerna ideo estas transpasi landlimojn kaj ponti inter kulturoj. “Korano estas unu el la plej belaj verkoj kiujn ni havas en Esperanto,” diris Neil Blonstein, la emerita instruisto malantaŭ Universala Esperanto-Asocio, kiu organizis la merkredan simpozion.

Ni ne taksu, do, kiel koincidon ke la simpozio okazis je la alia flanko de la strato kie situas la sidejo de Unuiĝintaj Nacioj, kaj 151 jarojn post la tago kiam naskiĝis Ludoviko Lazaro Zamenhof en Bjalistoko, urbo nuntempe en Pollando.

Atentema amaseto de 75 partoprenantoj ĵus spektis novan dokumentfilmon pri Esperanto kaj aŭdis prezenton pri nova angla traduko de memorlibro kiun la patro de s-ro Soros, Tivadar, publikigis en 1923 pri grupa fuĝo el orient-rusia militkaptitejo, fuĝo kiun li estris tri jarojn pli frue.

Ĉe la pupitro s-ro Soros plenigadis kelkajn breĉojn de la rakonto pri la fuĝo kaj mult-halta migrado de la grupo tra Siberio. “Ili planis konstrui barĝon – nu, ne precize barĝon, sed floson – kaj flosi ĝis la oceano. Nur ke li ne tro bone lernis geografion kaj ne konsciis ke ĉiuj riveroj kondukas al la Arkta Oceano,” rakontis s-ro Soros. “Do, ĉar fariĝis pli malvarme, ili devis forlasi la floson.”

Li ankaŭ priskribis sian edukiĝon en la Budapeŝto de la 1930-aj kaj ’40-aj jaroj, en hejmo kie oni parolis Esperanton, kio igis lin unu el la malmultaj denaskaj parolantoj en la salono, aŭ eĉ tutplanede. “Ĉi tiu historio grave rolis en mia infanaĝo,” li diris, levante la ĵus tradukitan memorlibron.

Lia patro lernis Esperanton 20-kelkjara, kaj kunkreis en Budapeŝto, post sia reveno el Ruslando, la beletran revuon “Literatura Mondo”, kiu aperigis verkojn Esperantlingvajn. Poetoj kaj aliaj lingvouzantoj vizitadis lian domon, kaj kiam, en la aĝo de 17 jaroj, George Soros forlasis Budapeŝton por testi siajn ŝancojn en Anglujo en 1947, “inter la unuaj farendaĵoj estis elserĉi la Londonan Esperanto-Societon”, kiel amikan rifuĝejon.

“La lingvo tre utilis,” diris s-ro Soros, “ĉar kien ajn oni iris, eblis trovi iun kun kiu paroli.”

La memorlibro, origine titolita “Modernaj Robinzonoj”, aperis felietone en la beletra revuo de Tivadar Soros en 1923. Por la anglalingva reapero ĉe Mondial ĝi ricevis la titolon “Crusoes in Siberia” /Robinzonoj en Siberio”/. Tirante konkludon el siaj spertoj, la aŭtoro fakte konsilas enkonduke al siaj legantoj ke ili “neniam revu fariĝi Robinzonoj”, por ne travivi lian sorton de varia vagado tra Siberio.

Malgraŭ la malnoveco kaj la kutime malfacila surmapa troveblo de menciitaj lokoj, la memorlibro ne estis aparte malfacila traduktasko, certigas Humphrey Tonkin, la Esperanta klerulo kiu akceptis la defion laŭ peto de la familio Soros.

Antaŭa prezidanto de la Universitato de Hartford kaj profesoro pri literaturo, Tonkin ne vere trovis la taskon timinda, tradukinte jam en Esperanton du dramojn de Ŝekspiro, “La Vivo de Henriko Kvina” — kune kun ties Krispin-taga parolado — kaj “La Vintra fabelo”, kun ties memorinda instrukcio “Eliras, sekvata de urso” /Esperantlingve en la artikolo/.

Se diri la veron, li aldonis, Soros kaj Ŝekspiro estis ambaŭ infana ludo kompare kun Winnie-la-Pu, kun ties malfacile kaptebla vortludema stilo. Citante el la infana klasikaĵo, li diris: “Jen multe pli granda problemo ol Ŝekspiro.”

Post varmaj salutoj el la publiko post la prezentoj, s-ro Soros, 80-jara, diris al grupo da admirantoj, “Mi devintus rakonti la historion kiel mia patro fariĝis esperantisto.”

Post urĝoj ke li publike konigu tion, li cedis: “Nu, alvenis la nova komandanto de la milikaptitejo, kaj li estis esperantisto. Li demandadis al miloj da kaptitoj ĉu estas inter ili esperantistoj. Troviĝis tri. Tiujn li invitis por la semajnfino kaj regalis ilin. Post tio, ĉiuj eklernis la lingvon.”

Profesoro Tonkin afable diris al s-ro Soros ke li supozas alian teorion pri la okazaĵoj pli verŝajna, sed li konsentis ke la versio de s-ro Soros “estas pli bona rakonto”.

Traduko el la angla originalo: István Ertl
Fonto: Libera Folio:
http://www.liberafolio.org/2010/kiel-diri-miliardulo-en-esperanto

DIA DE ZAMENHOF – COMEMORAÇÕES EM 2010

Escrito por Redakcio

O mundo comemorou com grande sucesso o dia de nascimento de Zamenhof, o dia do Esperanto. O mundo esperantista agora utiliza recursos modernos extremamente rápidos para fazer o Esperanto mais visível na mídia. A Internet e seus recursos. Twitter um novo veículo, baseado em miniblogues de 140 palavras, foi utilizado intensamente no dia 15 de Dezembro último para mostrar frases atentando para a prática esperantista em todo mundo. Foi um grande sucesso, pois atingiu um pico de 0,07% dos twits mundiais. Isso não é pouco se comparado aos milhões de twits lançados no mundo inteiro. Tudo surgiu na cabeça de uma jovem jornalista brasileira Renata Ventura que está fazendo e acontecendo no mundo virtual esperantista. Cheia de ideias, Renata diz nas listas, toda animada: “Agora vamos nos preparar para o 15 de Dezembro de 2011”. E a turma se torna animada e vai no embalo do mundo eletrônico para chamar atenção do Esperanto. A pressão dos tuiteiros foi tão expressiva que Rita Lee (cantora), Gloria Perez (novelista da Globo) entraram na tuitada também.

Soros discursa em NY e é motivo de publicação no NY Times
Soros discursa em NY e é motivo de publicação no NY Times

Mundo afora, o Esperanto também foi motivo de expressividade. A representação da UEA na ONU, guiada por Neil Bronstein, organizou um grande encontro no outro lado da avenida em que está a sede da ONU em Nova York. Ninguém menos que Geoge Soros, o bilionário das bolsas, apareceu lá para ligar sua história ao mundo do Esperanto. Realmente, ele foi um jovem, filho de um grande esperantista Tivadar Soros, que se salvou do mundo nazista na antiga Hungria sob domínio de Hitler e que fugiu para a Inglaterra e começou sua vida buscando apoio no movimento esperantista inglês. Isso é contado com clareza no livro escrito em Esperanto: “Maskerado cirkau la morto”.O interessante é que ele reconheceu isso em discurso ao público presente ao evento. Os livros de seu pai, escritos em Esperanto, foram editados em inglês. Um deles lançado no último dia 15, na cerimônia em que o Soros discursou. Não deu outra, o próprio NY Times publicou uma longa matéria no dia 16/12 sobre o ocorrido, naturalmente com pitadas de ironia, a começar pelo título.

Ponte Rio-Niteroi em 15Dez2010 Sugestão feita por Walter Fontes e fotografado  por Neide Barros Rego
Ponte Rio-Niteroi em 15Dez2010 Sugestão feita por Walter Fontes e fotografado por Neide Barros Rego

Voltando ao Brasil, houve, no Rio de Janeiro, uma grande homenagem externa ao Esperanto pelo seu dia, que foi feita pelo própria organização da Ponte Rio-Niterói no letreiro eletrônico em cima da ponte. A sugestão foi feita por Walter Fontes, esperantista carioca e fotografado pela eleita intelectual do ano em sua cidade Niterói, Neide Barros Rego, grande artista no mundo do Esperanto.

Fonte:
Site da BEL – Liga Brasileira de Esperanto
http://esperanto.org.br/p/

Ponte Rio-Niterói vai homenagear o esperanto

A Ponte Rio-Niterói vai homenagear o esperanto. A notícia foi divulgada pela empresa que administra a rodovia. No próximo dia 15, todos os painéis eletrônicos irão mostrar mensagens alusivas ao dia da língua internacional neutra. A notícia representa a consagração da campanha encabeçada pelo presidente da Associação Esperantista do Rio de Janeiro, o atleta Walter Fontes. O dirigente divulgou nota afirmando que a recente conquista representa uma luta de alguns anos. No texto o atleta diz-se emocionado e divide seu sentimento com todos. Ao final Walter Fontes conclama a comunidade esperantista a divulgar a novidade, a fotografar os painéis e a agradecer à direção da CCR-Ponte.