Festival de equívocos assolou a CBN – – – Miskomprenada festivalo dezertigis radion CBN

O dia 19 de novembro ficou marcado na história como o dia em que comentaristas da CBN deram um show de equívocos sobre o esperanto, em  tom de grande “sapiência”.
Os senhores Cony (esse é reincidente!), Xexéo e Viviane Mosé, respondendo à pergunta proposta – Esperanto pode ser nova disciplina obrigatória no ensino regular? – e às perguntas do apresentador do programa, se posicionaram contra o esperanto, um direito deles, mas com argumentos frágeis demais.
Em primeiro lugar, a própria pergunta está errada. É inacreditável que uma emissora de rádio que “toca notícias”, segundo o seu slogan,  e por isso deve ter um grande quadro de jornalistas trabalhando em tempo integral, consegue não saber que o projeto de lei do Senador Cristovam Buarque não propõe esperanto como matéria obrigatória, mas optativa. Os equívocos começaram aí. Mas vamos ouvir os comentaristas, antes de continuar a análise do blog que toca esperanto:

Comentários dos comunicadores Cony, Xexéo e Mosé.
Aos comentários:

1- O apresentar faz a primeira pergunta, ao Cony, e comete o primeiro equívoco: “trocar o inglês pelo esperanto” não tem nada a ver com a proposta do esperanto, se bem que com o tempo, quando as vantagens do esperanto estiverem bem claras para todos, inclusive para os comentaristas da CBN, é claro que o inglês vai continuar cumprindo o seu papel de lingua nacional e o esperanto será a segunda língua de cada povo. Mas isso vai acontecer aos poucos, à medida em que  os que perceberem nele as qualidades necessárias de uma língua franca ideal, o adotarem como língua de trabalho, ate que num determinado momento da história, o esperanto vai deslanchar intensamente.

2- Na resposta, Cony, que é reincidente em cometer equívocos sobre o esperanto, diz que ele é uma língua fabricada. Ainda não aprendeu que:
a) O esperanto é uma língua planejada, e por isso extremamente lógica, simples, rica e fácil;
b) As línguas nacionais são convenções humanas, e elas é que foram “fabricadas”, construídas no lufa-lufa do dia-a-dia dos povos. Ou ele acha que os homem das cavernas já falavam inglês?
c) As gramáticas das línguas nacionais foram compiladas, muito depois de a língua ser falada (aqui vai um link informando quando foi produzida a primeira gramática de uma língua  na história da civilização humana:  http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C4%81nini ). A primeira gramática da língua portuguesa conhecida é da autoria de Fernão de Oliveira, e foi publicada em Lisboa, em 1536.
A gramática do esperanto foi planejada. Qual a diferença? Enquanto as gramáticas de línguas que já eram faladas foram compiladas, isso é, seus autores extraíram da língua falada as regras gramaticais, e por isso há tantas irregularidades e exceções, a gramática do esperanto foi genialmente elaborada com apenas 16 regras regulares,  simplificando o aprendizado da língua.
d) As palavras das línguas nacionais também foram convencionadas, “fabricadas” pelo homem, só que de forma aleatória, no dia-a-dia, enquanto no esperanto elas foram escolhidas pelo seu iniciador e adptadas  ao sistema regular de terminações do esperanto. É una das características geniais do esperanto.

3- Em seguinda Cony se mostra muito confuso, mas é possível entender que ele diz que uma língua se aprende na vida e não na escola. Então quer dizer que o Cony é contra o ensino de línguas na escola?

4- Cony historia brevemente o sobe e desce da hegemonia das línguas e registra que o poderio econômico e militar da China está promovendo o mandarim. Nisso ele tem razão. Como ele reconheceu que o francês cedeu lugar ao inglês pelo fato de a França ter cedido lugar aos Estados Unidos como grande potência, será que ele está admitindo que ao invés do inglês, nós teremos que aprender mandarim como língua franca, já que a China deverá suplantar o Estados Unidos? E se o Brasil seguir a China de perto, o português terá mais chance que o mandariam de se tornar língua franca, pois é mais fácil que o mandarim para os povos ocidentais? O esperanto não seria uma solução definitiva e justa para todos os povos?
5- Chegou a vez do Xexéo, que reconheceu que o esperanto é uma boa idéia. Poderia ter ficado por aí, isse apesar disso o esperanto é inútil, porque o inglês, segundo ele, já conquistou definitivamente o lugar de língua internacional, ignorando o sobe e desce das línguas conforme o momento histórico, como se a história tivesse parado, sem ascensão de novos países e decadência de  outros.

6- Em seguida Xexéo repetiu o bordão “ninguém fala esperanto”. Disse que quem aprende esperanto é  para conversar com o colega que também estuda esperanto. Disse que ninguém fala esperanto na Argentina, China etc.
Em primeiro lugar, é claro que quem aprende esperanto e para conversar com outras pessoas que também o aprende, não apenas no mesmo curso, mas em cursos organizados pelo mundo afora. Óbvio demais, embora já exista muitos casos de crianças que aprendem esperanto do berço. Aqui mesmo no Brasil temos muitos casos assim, sendo o mais conhecido o do menino que traduziu o livro “O menino maluquinho”, do Ziraldo, do português para o esperanto.
Quanto à China, o Xexéo precisa saber que lá o esperanto é ensinado em várias universidades e que a Rádio Pequim transmite em esperanto: http://esperanto.cri.cn/ . E mais: temos uma empresa de ímportação e exportação na China, que usa o esperanto como uma de suas línguas de trabalho: http://www.davinci-china.cn/web/index.htm , há 10 anos.

7- Para finalizar, Xexéo disse que o esperanto foi ultrapassado pelo desenvolvimento da humanidade. Nós achamos justamente o contrário, que o desenvolvimento da humanidade vai levar à adoção do esperanto como segunda língua de todos os povos.

8- Para completar o grupo, chega a vez da Viviane Mosé. Começa dizendo que para se estabelecer uma cultura são necessários milhares de anos. Pois nesse campo o esperanto mostra sua enorme eficiência: iniciada em 1887, tem uma riquíssima literatura, original e traduzida, tem música, tem eventos tracionais, tem história, tem tradições. É como se o esperanto fosse um bebê prodígio de três meses apenas, que tocasse piano, saxofone, falasse 10 línguas e resolvesse problemas de cálculo integral e diferencial de cabeça.

9- Mosé disse em seguida que se o esperanto tivesse que dar certo, já teria dado. Precisa ler aqui no blog o artigo Esperanto: sucesso em todos as frentes de uma língua viva (http://esperanto-na-midia.blogspot.com/2010/11/lingua-que-nao-deu-certoesperanto.html).

10- Para finalizar se mete a criticar o senador Cristovam Buarque, autor do projeto de lei em discussão, baseado no equívoco que a o esperanto será mais uma matéria obrigatória, quando o projeto de lei do senado a propõe como lingua optativa, se houver interesse da comunidade. Assim: se os alunos de uma determinada escola tiverem interesse e  se houver professor de esperanto disponível, o esperanto poderá se tornar matéria optativa naquela escola. Muito democrático e de acordo com o desejo da comunidade de cada escola, ao contrário do inglês que é muito mal ensinado e pouca gente consegue aprender em escola pública. Nesse aspecto, o esperanto, como língua propedêutica, tem muito a colaborar com a melhoria do ensino de línguas no Brasil.

Lamentamos muito que o nível desses comentários. Quando é que a CBN vai se redimir, entrevistando o senador Cristovam Buarque ou pessoas que conheçam o assunto?
Para finalizar, sugerimos que a CBN se inscreva na nossa Sala de Imprensa, para receber releases, matérias e conseguir chegar a pessoas que saibam informar melhor sobre essa questão.

 

Do blog Intraespo:
http://esperanto-na-midia.blogspot.com

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